A idéia de escrevermos este post (e os outros que se seguirão) não é abordar o assunto sobre fibras ópticas de modo a esgotá-lo, já que o assunto é vasto e não temos a pretensão fazê-lo desta maneira.

Nosso objetivo é dar àqueles que necessitam ou pretendem contratar serviços que envolvam redes de fibras ópticas noções sobre esta tecnologia que possam facilitar as suas decisões, seu planejamento, sua implantação e sua operação.

Deste modo, este artigo é voltado para o público geral, não especialista, envolvido com infra-estrutura de redes e que queiram conhecer um pouco mais sobre o assunto, bem como os provedores de internet, que estão vislumbrando aumentar a capacidade e a capilaridade de suas redes.

Um pouco de História sobre as fibras ópticas:

Quando falamos em Fibra óptica referimo-nos à tecnologia de transmissão de luz através de finos filamentos de material altamente transparente, geralmente de vidro ou de plástico (polímero).

As principais utilizações são nas comunicações, medicina, iluminação, inspeções ópticas e na confecção de sensores.

A invenção da fibra óptica é referenciada ao físico indiano Narinder Singh Kapany.

Kapany, baseando-se nos estudos do também físico inglês, John Tyndall (1820-1893), de que a luz poderia descrever uma trajetória curva dentro de um material (no experimento de Tyndall esse material era a água) pode concluir suas experiências em 1952 e inventar a fibra óptica.

Pelo princípio da reflexão total, a luz em uma fibra óptica viaja através do núcleo (n2, de alto índice de refração) refletindo-se constantemente na interface (n1, de menor índice de refração), porque o ângulo da luz é sempre maior do que o ângulo crítico. A luz se refletirá na interface, não importando o ângulo em que a fibra seja curvada, mesmo que seja um círculo completo.

A fibra óptica passou a ter aplicações práticas na década de 60 com o advento da criação de fontes de Luz de estado sólido, como o raio laser e o led.

  • 1964: Kao especulou que se a perda da fibra for somente 20 dB/km, seria possível, pelo menos teoricamente, transmitir sinais à longa distância com repetidores. 20 dB/km: sobra apenas 1% da luz após 1 km de viagem. Objetivos: menor custo e melhores condições para o transporte da luz.
  • 1968: As fibras ópticas da época tinham uma perda de 1000 dB/km. The Post Office patrocina projetos para obter vidros de menor perda.
  • 1970: Corning Glass produziu alguns metros de fibras ópticas com perdas de 20 db/km.
  • 1973: Um link telefônico de fibras ópticas foi instalado no EEUU.
  • 1976: Bell Laboratories instalou um link telefônico em Atlanta de 1 km e provou ser possível utilizar fibras ópticas para telefonia, misturando com técnicas convencionais de transmissão. O primeiro link de TV a cabo com fibras ópticas foi instalado em Hastings (UK). Rank Optics em Leeds (UK) fabrica fibras de 110 mm para iluminação e decoração.
  • 1978: Começa, em vários pontos do mundo, a fabricação de fibras ópticas com perdas menores do que 1,5 dB/km, para as mais diversas aplicações.
  • 1988: Primeiro cabo submarino de fibras ópticas mergulhou no oceano e deu início à superestrada de informação.

No Brasil, os esforços para o desenvolvimento de fibras ópticas iniciou-se também na década de 70 na Unicamp com a participação de pesquisadores como José Ellis Ripper Filho (convidado por Zeferino Vaz, fundador da Unicamp, para estruturar o primeiro Departamento de Física Aplicada do Brasil), Rogério Cerqueira Leite, Sérgio Porto, José Mauro Leal Costa (o primeiro brasileiro a ver uma fibra óptica, durante seu doutorado em fabricação de vidros de alta pureza na Universidade Católica da América), Rege Sacarabucci, além de pesquisadores estrangeiros como  o indiano Navin Patel, o americano James Moore, o indiano Ramakant Srivastava e o holandês Eric Bochove.

Objetivo claro – O Grupo de Fibras Ópticas nasceu com o claro objetivo de desenvolver a tecnologia de fabricação da fibra e depois transferi-la para a indústria nacional. Instalou-se no prédio do Departamento de Eletrônica Quântica no início de 1976 e, no final do ano, já tinha três laboratórios montados.

A primeira fibra óptica brasileira foi puxada numa torre de dois metros de altura, em abril de 1977.

Em 1982, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, foi implantado o primeiro enlace experimental de comunicações ópticas (ECO-I) de rua no Brasil, por 4 km até Cidade de Deus.

Em 1984 entrava em funcionamento o primeiro sistema não experimental de comunicações ópticas produzido integralmente no Brasil, ligando duas estações telefônicas de Uberlândia-MG na CTBC (hoje Algar Telecom).

Em 1985, a Telesp instalava seus primeiros 1,4 km de fibra óptica na cidade de São Paulo.

Segundo dados da ANATEL, em março de 2011, a infra-estrutura instalada de redes no Brasil somavam 1.300.091 km de cabos e 27.925.341 km de fibras ópticas!

Curiosidade sobre as redes de fibras ópticas:

Se você quer conhecer os cabos submarinos de fibras ópticas que chegam e saem do Brasil bem como em todos continentes, click na figura abaixo.

 

ATENÇÃO: nunca olhe diretamente para o núcleo da fibra ou do conector se não tiver certeza que a mesma está desligada da fonte de energia! Como a propagação de luz se dá na faixa do infravermelho, o feixe de luz é invisível, apesar da grande potência emitida, havendo grande risco de danos irreparáveis à visão.

Acompanhe os próximos posts sobre este assunto: Características das Fibras Ópticas, Planejamento, Implantação e Aplicaçoes.